
Fábio Marcondes
FADQ – Abstinência e Dependência Química
Autor de 6 livros publicados escrevendo sobre abstinência desde 2010.
Amante da vida, apaixonado ao fenômeno da existência.
Acredita na impermanência, traz tudo para consciência, mas, habita pela subjetividade e intuição.
Está sempre pronto com tudo que pode aos que se identificam, traduzem para as suas verdades e criam assim os seus próprios caminhos.
Suas frentes de trabalho são complementares; acompanhante/conselheiro terapêutico, escritor, artista plástico e comunicador. Atuando na simples complexidade dicotômica e paradoxal nas múltiplas verdades individuais e coletivas junto a adicção e a recuperação.
Mídias
Alguns trabalhos veiculados compartilhando um pouco minhas frentes complementares junto as reflexões na abstinência e a recuperação em vícios.






sexto livro
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a Desconstrução e
a Desfragmentação
da Adicção

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Eu narrei o meu primeiro livro “30 Anos Fudeu” e ele se transformou num audiolivro, você pode comprar na TocaLivros (inclusive tem em app).

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Artes Plásticas
O universo artístico para mim é a tradução que compete toda intuição numa explicação ao inexplicável.
Nela encontramos vias de comunhão, onde o inconsciente pode finalmente se comunicar com o consciente, trazendo de forma ingênua e até pretenciosa alguma sorte de razão, mesmo sem precisar ter.
A Jornada do Louco (tarô)
Liberado o livro piloto de uma ficção lúdica com as fantasias alegóricas do Louco do Tarô em uma jornada aos 21 Arcanos Maiores (já que ele compõe os 22 “sem número”) onde transpassa do vício (signo de qualquer natureza) para a recuperação.
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Meus 43 anos (22.12.82 – 25)
O bom filho sempre volta para casa, ou seria um filho ruim, que retorna por não ter para onde ir…
Encontro-me em migalhas de pães chiques, ao doce clima noturno do verão, o silêncio da rua pela madrugada, ela já é chegada, a insônia, que não precisa de nada, nem de paquera ou namorada, nem mesmo amigos e família, nem mesmo sequelas de uma farofada.
Estruturas vão, estruturas se rompem, amargo é o vazio, ter tudo e sempre estar sem nada, não ter nada e sempre ter tudo.
O que mais faremos para sermos ouvido, quantas provas aos teores morais e éticos teremos que adaptar, adequar, modular para junto o catálogo das doenças não mais ser visto como fracasso, covardia ou a supremacia de um paladino remodelado…
Há um lugar de encontro, não importam as jornadas, conquistas, vitórias e alicerces edificados em novas verdades, a sorrateira vilã com seu parceiro sorrateiro sempre nos alcança, vem de outras formas, formas novas, bonitas, diferentes e interessantes, curiosas, é um fascínio, nos permitimos sussurrar em seus ouvidos, tocamos suas peles, sentimos seu perfume, seu calor que esconde a gélida verdade escondida… o golpe!
Tomamos bordoadas, esquivamos, contra-atacamos, mas ainda assim não percebemos as estratégias ocultas, para quem uma vez foi serviçal, sempre será novamente… ou não?
A solidão parece ser a morada dos sonhos, não ter compromisso, obrigação, ir e vir sem a nada e nem ninguém precisar estar, mesmo estes sendo opostos de vossos sentidos na origem dos sentimentos, dos quais só quer ainda sentir a vida como criança… mas a parte boa da criança, não a parte ruim, do medo, da timidez, da insegurança… só a parte boa!
O peso extra ao moldes padrões estão esgotando o que um dia foi poder, este poder hoje se tornou uma maldição, na retórica da presença é possível até mesmo driblar quem não sabe enxergar, mas aos olhos treinados desvendam o mistério.
O enigma foi descoberto, parece mesmo que não tem jeito, parece mesmo que a vida corrige o seu curso, podemos inventar tudo que ainda não existe, podemos ativar tudo que já existe, podemos mudar até nossos nomes, podemos tentar todas as sortes e todos os azares, podemos poder, e ainda assim parece mesmo que andamos para chegar de onde partimos. Porém, esse é o lance!
Criamos tantos títulos para nos achar que nem percebemos o que somos sem os títulos, eu por exemplo, dou tantas voltas, vou para lá, vou para cá, faço isso e aquilo, o tempo todo tentando ser, ter e estar aos modelos que competem os dramas das nossas vidas, contudo, o que eu sei fazer é escrever, e o mais engraçado nisso é que eu escrevo errado, sou prolixo, meus livros não vendem, e eu não sou escritor, mas a única coisa que sei realmente fazer é escrever e não há nada que me faça encontrar de novo o ponto de partida e chegada que seja escrever.
Pode ser embaralhado ler isso, texto que faço no bloco de notas do computador, pois não tenho mais world, texto que não sei… e não sei mesmo.
É complicado caminhar arduamente pelas trevas infernais e depois de alcançar níveis celestiais ver que não adianta de nada, não que seja absoluto e somente pessimista, porém, não há tanta alegria junto o céu azul, e as cores sombrias parecem acalentar mais que as sutis, o que não é verdade, mas parece.
É triste não conseguir.
É triste não entenderem.
É triste voltar nas questões morais e éticas.
É triste… desencanar e jogar a toalha até onde ir…
É triste não ter para onde ir…
É triste ter o contrário disso tudo e não sentir!
Nessas horas sinto o que sou, artista é a única palavra que consegue me representar.
Esse texto até está parecendo uma despedida.
Eu fiquei tão “pop” criando conteúdo no YouTube que até esqueci o que sou de verdade. Lá eu falei um monte, tem vídeo de todos os tipos, de todos os jeitos, tantas faces que no fim não tem nenhuma.
Me tornei conselheiro e acompanhante terapêutico, um pouco de terra para a terra, moldes para atuar. Como se minha alma, meu sangue, minhas vísceras, meu suor, minhas lágrimas e o meus estudo da vida não fossem suficientes, damos a César o que é de César com a ridicularidades de qualquer coisinha on-line certificando até um Asno, pronto para atuar!
Essa propriedade complementar tem valor, na verdade tudo tem valor, só notei hoje, no dia do meu aniversário, aqui escrevendo que eu não posso parar de escrever, e escrever exatamente dessa forma perturbada, já que mesmo aos moldes morais e éticos, aos consumidores de segundos, simulações, artificialidades, algoritmos e vitrines digitais não acessam as profundidades abissais.
Ainda assim habita uma nova destreza analítica aos teores presentes em consciência pela estratosférica odisseia justaposta, o balizador destes efeitos estão em contrapeso ao clássico ônus e bônus, ao primado do sacrifício e benefício, ou seja, a moeda de troca continua sendo o sangue, o suor e a lágrima, já que não há sorriso sem o conhecimento da dor.
Minha vaidade ainda me coloca de frente com uma série de formulações manifestadas e compartilhadas ao longo dessa jornada, algo que de alguma forma se tornou mais um elemento ao campo vibratório desta ordem fractal, em outras palavras, é como se fora extraído de mim a transferência de um todo subjetivo e transformado em algo objetivo para identificação além de mim.
Essa faculdade dinâmica rege uma carga anulativa de minha qualidade vital, isso quer dizer que, por não me dar ao comum das estruturas, ou seja, relações clínicas de academia ou padrões institucionalizados, quando não distante, linhas místicas e os próprios uma vez do outro lado, ao retornar, tornar-se outro orador.
Por minha vez, não me identifico com nenhum, posso ter um pouco de todos, entretanto, a máxima se dá na provocativa para que cada um que cruze minha frequência possa ter tão somente a sua verdade ativada.
Para fechar, dançar com o diabo não é brincadeira, muito menos com a morte, a coisa fica séria quando isso já não assusta, o que de novo não é verdade, e talvez essa canção seja só mais uma obra de anjos que transitam de lá para cá.
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A morte do herói.
Ser herói é algo curioso, geralmente os heróis são aqueles que nunca desistem, geralmente tem valores com princípios de naturezas sublimes, coletivas inclusive, geralmente heróis vivem para os outros, geralmente heróis se questionam o tempo todo se o que fazem é certo, geralmente duvidam de suas qualidades heroicas, geralmente desistem por um tempo, geralmente passam por dores e perdas dolorosas, geralmente são apenas mais um humano tentando vencer a batalha trava dele contra ele mesmo.
Heróis não nascem por eles próprios, são seus atos que ao serem vistos pelos outros o colocam em um lugar de herói.
Às vezes hérois não querem ser hérois, às vezes colocamos pessoas em lugares de heróis sem que os mesmos sejam tudo aquilo.
Nós precisamos de alguma sorte ou azar colocar pessoas, coisas etc., como algo ou alguém que nos fere ou salva, hérois da infância se tornam ao crescermos santos e anjos, líderes políticos, campeões esportistas. Criamos continuidades de reconhecimento e anulação de vossas faculdades orgânicas, tendo ao externo a resposta que já existe dentro.
Mas o que seria do herói sem o vilão. Esse é um ponto interessante para explorarmos. Até porque se pensarmos nessa dualidade entre herói e vilão e separarmos estes signos, ou seja, o nome herói e vilão, o que encontraremos seria de alguma forma tão somente as realidades de toda a nossa existência, dado fato, sermos frutos de uma possível fonte unigênita criadora que se partiu criando daquilo ou dele(a) mesmo um oposto, que para mim deve ser complementar e não antagônico, inclusive por essa ótica já anularia a ideia de herói e vilão.
Seguindo por essa ideia, o herói seria uma esfera dentro das verdades múltiplas da vida e o vilão uma outra esfera.
Então ao criarmos heróis estamos criando verdades de uma posição até então de um microcósmos que entendemos ser a certa, a correta, a de bem; por outro lado, toda a natureza correspondente ao vilão seria o contrário que podemos chamar de negativo.
Entendo ser muito vago tudo isso e até um pouco banalizado, já nos ditos populares e nas telinhas dos cinemas, não dessa forma romantizada, mas aos truques de filmagens. Em contrapartida podemos trazer um pouco de “objeto” para essa ideia, vejamos da seguinte forma, somos regidos e compostos por três naturezas dominantes ao mundo que vivemos, sendo elas; poderes políticos, poderes religiosos e poderes econômicos, desta tríade abrimos infinitas variações que já são conjuntas ao primado dos heróis e dos vilões, pelas divisões que naturalmente já possuímos na terra, o que é certo aqui é errado ali e por aí vai mais um monte de verdades cruzadas.
Com estas dramatizações que costuramos por aqui, vamos agora apetecer um pouco o assunto com as clássicas verdades dos vícios e das drogas, tema que exploro desde 2010 e hoje em 2025 obtive uma série de verdades complementares em suas realidades, mesmo que ainda retórico, até mesmo sendo eu um objeto de estudo, tem sido também as trocas com pessoas que chegam até mim e aquelas que também desenvolvemos trabalhos juntos.
As drogas nasceram como heróis, heroina diga-se de passagem com a o jogo de palavras, mas sim, toda droga apareceu e fora criada aos primórdios de suas descobertas científicas e medicinais para promover uma melhoria para nós, então ela pode ser vista como herói em seu surgimento. Hoje temos de fato a realidade da droga ser vilão, porém, não é a droga em si o vilão ou herói, como a internet não entre outras coisas que temos e podem nos fazer mal como podem nos fazer bem, contudo, a droga possui algo que ultrapassa a compreensão de nosso entendimento temporal, nós somos limitados e a droga te abre para um lugar atemporal e ilimitado, obviamente que não são todas as drogas que promovem isso e as variáveis correspondem também a cada pessoa, no caso, aos modos já destrutivos quando viciados.
Dentro destas ideias podemos compreender uma natureza fractal, e também paradoxal, por exemplo, a mesma droga que para um atende as realidades de benfeitorias, para outro será de total destruição. Se olharmos para o herói uma vez salvador das enfermidades humana, ele como droga, passado o período de testes e experiências o próprio se tornou vilão, então um herói pode ser tanto herói como vilão, dado raciocínio que já abrimos há pouco, em mesma fatia o vilão pode se tornar herói, na mesma qualidade como droga; para ilustrar essa ideia vejamos os casos hoje presente com os tratamentos junto MDMA, CBD/THC, KETAMINA entre outros, ou seja, o que um dia foi para alguém herói ou vilão no outro dia pode novamente ser herói ou vilão.
Nada disso tem importância filosófica para quem está totalmente destruido pela droga, muito menos para quem convive junto a pessoa destruída, algo que inclusive destrói junto aqueles envolvidos, entretando, há uma verdade que já é conhecida, mas, ainda não ganhou corpo presente de atuação, que é, a realidade moral e ética junto o vício.
Vício por si já é uma desgraça, temos hoje o vício em jogo e apostas, vício em internte (com todas as suas possibilidades) mas que é mais presente ao resultado das vitrines pels redes digitais de propagação social, vícios em masturbação associado ao sexo, pornografia, prostituições, traições, mentiras etc., o vício em bebida alcoólica e as drogas, e não podemos esquecer os remédios.
Todos estes vícios e outros que talvez eu tenha esquecido e ou ainda não foram identificados, certamente todos podem arruinar com a vida da pessoa e de seus próximos, contudo, há um que é marcado como maior nível de destruição e complexidade de compreensão, a droga obviamente. Até no campo da droga temos divisões de complexidades, por exemplo, álcool é socialmente aceito, maconha já é algo que também se vê como mais leve, algumas drogas como ecstasy, MDMA, LSD são drogas que até passam despercebidas em alguns casos, agora, a cocaína, o crack, a heroína, a metafetamina, k2 que é uma droga nova pouco falada, estas são muito destrutivas. O ponto chave aqui é que existe um nível social de aceitação e rejeição junto as drogas, por exemplo; um CEO multimilionário, multiempresário que consome medicamento não prescrito para aumentar seu rendimento e bebe álcool jamais será visto como drogado ou viciado, considerando que o mesmo já está em nível de compulsáo e uso exagerado, por outro lado, aquele que está na rua, geralmente com um cobertor em cima de si, barba e cabelo grande, sujo e fedido, nos becos fumando crack, este é a representação clássica do viciado ao que entendemos por este modelo de vício, não distante temos a cocaína que antes de chegar em seu enclausuramento de isolamento (traços comuns de um vicío já grave), a cocaína está presente em grandes eventos sociais, promovendo o seu despertamento de prazer e socialmente para algumas fatias tribais, ela não é vista como o vício do crack, para maconheiros ou fanfarrões da bebida alcoólica a cocaína já é ultrajante, ou seja, existe uma escala social ao que compete a posição das questões morais e éticas. Quando digo moral e ética é algo mais subjetivo, não necessariamente a composição moral e ética, até porque se pensarmos em mundo, o que é aqui no Brasil uma coisa na Suiça é outra, então não tem como deixar algo como definitivo e absoluto, portanto, vejamos da seguinte forma, o vício é uma doença, mas em nenhum lugar o vício é tratado como uma doença, mas é uma doença incurável, ela é progressiva até sem o consumo do vício, é uma doença que pode levar ao enloquecimento, é uma doença que pode inclusive ser fatal, ora por uma desgraça qualquer e ou ao próprio extermínio pela insuficiência prática social, com isso em vista vamos pensar agora sobre as questões morais e éticas.
Hoje habitamos um mundo com novas verdades, as verdades que advém de todos os nosso progressos, desde de sempre inclusive, mas que teve com a internet um impacto bem significativo e de transformação nas modelagens existenciais, trouxe esse olhar para analisarmos as realidades da vida orgânica sendo anulada por toda simulação, artificialidade, digitalização, algoritmos etc., esse avanço por sinal pode até ser visto como herói ou vilão, juntos essa fatia presente na vida, começaram fixar as importâncias junto as necessidades de pertencimentos sociais, ou seja, as conscientizações junto gêneros, diversidades etc., temos hoje fitinhas para colocarmos no pescoço com todas as variáveis de doença mental, o que é ótimo por sinal, por outro lado não se vê fitinha de pescoço para o bêbado e o drogado, e isso não existe ainda ou talvez jamais exista, pois é algo que bate de frente direto com as relações morais e éticas, pois, o drogado, o viciado é entendido ainda como sem vergonha, fracasso, folgado, covarde, manipulador, mentiroso etc., e essas coisas existem pela qualidade fractal e paradoxal, ou sejam, é a ordem na desordem e a existência de uma coisa ao mesmo tempo que não existe. Com isso, o viciado é tudo isso e não é nada disso, pois tudo faz parte da doença. Mas o que é essa doença?
Essa doença é uma doença invisível, ela atua no campo físico, mental, sentimental, emotivo quiça ao mistério e o enigma de uma subjetividade energética e espiritual, é uma doença que pode ter processos de curas, o que é diferente de curar, desde as vertentes religiosas, espirituais, xamânicas, medicinas naturais, psiquiatria, terapia, grupos segmentados, esporte, estudo, trabalho, família, amor conjungal etc., é uma doença que precisa de um olhar complementar, conjunto, amável, paciente, prático, cíclico, entre quaisquer identificação do viciado para crianção de sua própria verdade, onde haverá sempre a grande batalha em adequar-se aos padrões de seu raio de atuação.
A conscientização junto essa natureza está crescendo, um fenômeno se fez presente com as facilidades do mundo digital onde pessoas em tratamentos e recuperações pelas suas jornadas se tornaram protagonistas ao compartilhar suas experiências, algo importante para ampliação destas realidades, contudo, ainda habitamos aos mesmos modelos de herói e vilão, onde a academia traz uma verdade, o adicto (“limpo” e protagonista) traz outra verdade, a sociedade entende outra verdade e o viciado ainda vive a mesma verdade, ou seja, fracassado e demais referencias de fatores negativos pela questão moral e ética, portanto, vossos prelúdios ao entendimento e a compreensão do vício ainda é embrionário, não possuímos conhecimento e nem sabedoria para lidar com essas verdades, a questão de qualidade sensível se dá ao adicto, uma vez limpo, oriundo das estruturas de recuperações, ou seja instituições, clínicas, grupos etc., terá sempre como base a sobriedade e a abstinência como troféu de sua verdade, e de fato é uma grande conquistas, talvez a maior conquista de todas, já que parar com o vício destrutivo é algo muito difícil, contudo, se o adicto-protagonista tem um lapso, uma recaída ou até mesmo volta ao uso ele se torna pela própria comunidade da adicção, por assim dizer, alguém que fracassou, ou seja, ele não pertencerá nem na sociedade “comum” e nem na sua sociedade “abstêmia”, já os profissionais que atuam na área da dependência química, mesmo fumando seu cigarrinho de maconha e tomando seu vinhozinho, estes continuam ilesos aos critérios determinantes ao primado moral e ético aos viciados.
Ainda assim todo esse movimento é importante que exista, são aspectos iniciáticos e introdutórios, onde somente as experiências compartilhadas e a unificação de todos envolvidos poderá em algum momento ter mais resultados positivos ao delicado tema que é o vício.
Mas percebam como nestas costuras que fizemos há uma série de herói e vilão, contudo, deixemos o vilão de lado e voltemos ao herói para concluirmos essa conversa.
A morte do herói se dá ao concluir sua tarefa mais difícil, aquela guerra infinita, a batalha sem fim, a grande luta de sua vida… que assim como nos livros, nas peças de teatro, nas músicas e nas danças, no cinema, nos contos passados de pai para filho… a verdadeira luta do herói é a dele contra ele mesmo.
A morte do herói é o momento onde ele de alguma forma se desprende da forma, faz as pazes com suas inquietudes, aceita suas verdades, identifica que maior que a sua vaidade é mortalidade como qualquer ser vivo, é o momento onde nasce dentro de si a certeza de todo trabalho feito, onde não questiona mais sua intuição e seu sentimento, seu instinto o trouxe até aqui, e ao morrer, entrega-se à vida!
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Base
Não importam os caminhos percorridos, havendo uma base sólida sempre é possível voltar.
Cá estou em um hiato negativo, o que ao desejo primário se tornou secundário dando ao alcançado desejo, ou seja, o atalho para conseguir fazer coisas difíceis, agora volta tão rapidamente em sua face fria e gelada.
Quando nossas chagas estão no corpo, a mente por seus pensamentos voltam para a atenção física e o coração na sua qualidade emotiva apresenta estados de alerta já em medo, mas ainda assim tudo está com os olhos cravados na saúde.
O trânsito da vida é cíclico, não importam as distâncias e as jornadas percorridas, sempre haverá em algum lugar buracos.
Impactos de ordens destrutivas sempre alcançarão seus poderes, existem coisas que nunca darão apenas os louros de suas propriedades, sempre, em algum momento, o contrário se faz único em presença, e por mais que já não se queira isso, ela o terá alojado em si.
Ao mestre destes ensaios resta-lhe a verdade de seu saber, não absoluto, pois nada é, porém sagaz prático de todo o seu estudo.
Sendo isso fruto de uma natureza enigmática é junto suas já maduras relações com a presença consciente o balizador para o momento da ação. As vivências serão os seus escudos e a ciência cósmica as suas espadas.
Habita-se junto todo o processo também atalhos de retorno, eis a esperança interna para a ação. Mesmo já mais para lá do que para cá, há junto os seus uma queima de seus créditos para então o findamento dessa nova escola.
Por mais que ronde pensamentos e sentimentos de anulação, é até o fim e além a tentativa do caminho do bem e do amor.
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O ser cósmico
Seria uma grande prepotência se classificar como um ser cósmico e de fato é, prepotência no caso e não ser de fato cósmico, contudo, o que seríamos nós senão uma parcela dessa faculdade cósmica já que estamos de uma forma ou de outra presente neste estado humano, planetário e universal… considerando a subjetividade cósmica como algo de propriedade universal, melhor dizendo, do universo, tão logo somos todos de fato seres cósmicos. Por essa linha de raciocínio deixamos de lado as relações egocêntricas e adentremos em um mergulho profundo ao primado abstrato do ser em sua existência sensitiva, intuitiva e naturalmente subjetiva aos determinantes temporais de nossas diretrizes organizadoras pelas premissas comprovatórias que as tornam em um momento “loucura” e num outro “sabedoria” conforme vossos avanços identificadores que saciam as necessidades de controle e entendimento cabível ao homem em sua parcela de pertencimento.
De certo esse pequeno trecho já se torna indigesto para qualquer leitor letrado, afinal de contas é prolixo e com voltas exageradas que ficam sem fundamento, sendo uma leitura densa, intensa, amarrada que faz a mente dispersar facilmente, cansar e pouco se faz apresentável para qualquer nível de interpretação. Pois ainda assim é só o que teremos aqui!
Dito isso, avancemos…
Quando pensamos em um ser cósmico podemos imaginar algo bem lúdico, visual, figurado como talvez uma espécie de átomos em sua volta ou ainda um corpo meio translucido com talvez algumas imagens que já temos das galáxias no universo, considerando que haveria alguma representação de um corpo físico para ele ou qualquer outra caracterização corporal. Mas não é sobre sua presença física que exploraremos aqui e sim a sua presença de conexão pelos sentimentos e os pensamos com extensão de uma fonte unigênita de uma consciência coletiva, que no caso, está presente em todos (dentro dessa ficção) e que somente se faz presente ao adentrar em um compasso de mesmo frequência e vibração para que dali possa então existir meios e formas tradutórias para aplicações justapostas as concretizações e as objetividades existentes que ainda não conhecem (mas sentem) os alinhamentos desta ordem.
São variadas as formas que temos hoje para uma tentativa de explicação dessa natureza, temos centenas de linhas espirituais, universalistas, religiosas, místicas, míticas etc., temos também centenas de filosofias e até mesmo desdobramentos de qualidades científicas que chegam bem próximas de uma explicação, mais do que somente uma explicação todas estas e outras mais permitem que sejam preparatórias e cultivadas por sua linha de atuação para então o praticante ou questionador encontro um certo nível de conforto por ter ali respostas e meios evolutivos para suas inquietudes existenciais. O que diga-se de passagem não tem nada de errado, sendo todos os meios de preferências fundamentados em conceitos reais (mesmo que diversificado e conflitante entre eles em algum momento) e que principalmente não os coloque como uma verdade definitiva e absoluta. Feito isso, abre-se então um vislumbre (real) dessa fonte. Quando olhamos para este tipo de desdobramento é importante distinguir o que é real do que é ilusório, pois, ativadores de todos os azares, sejam eles subterfúgios consumidos para elevar a consciência quando utilizados de forma desorganizadas podem causar efeitos dissimulados ao que realmente confere sua outra face que somente é alcançada de forma lenta e com muitas experimentações de todas as sortes nos mais variados campos físicos, mentais e emocionais.
Ainda assim nada disso terá valor e terá real presença até que seja vivido um estado de desprendimento, desapego destas diretrizes e será então necessário o “congelamento” de tudo “adquirido” para uma espécie de “reset” ao encontro da mais ardilosa tarefa… Ver que nada disso é real e que tudo isso é real. Esse é o encontro de uma máxima paradoxal que permitirá tudo novamente “descongelado” onde o ser em sua individualidade se torna a conexão direta com a fonte. O problema é que ao se conectar com a fonte as dinâmicas da existência não se tornam fáceis e explicáveis, pelo contrário, elas se tornam mais difíceis e surgem tantos novos questionamentos que aumentam as verdades inexplicáveis. Por outro lado, você se torna uma extensão de manifestação (singular) para além de sua própria consciência. Haverá uma identificação sutil em toda leitura feita da vida, na vida tanto quanto sobre o próprio ser, sua vida se transforma conectada ao ponto de não conseguir mais atuar em algo sem que haja conhecimento de propriedade coletiva, mesmo que ainda seja possível agir em desconformidade ao já conhecido juízo polar, o fará em ciência, tanto quanto, haverá também complicações nas tentativas de qualquer vontade que já não lhe cabe tornando assim determinadas situações devastadoras até que atenda o que de fato lhe caiba, mesmo que tudo desmorone enquanto não houver a maturidade de compreensão real por sua constituição em sentidos maiores que agora são alinhados junto essa fonte coletiva e sua presença cósmica.
Olhando dessa forma é nítido que não há vantagem alguma habitar esse suposto lugar, entretanto, por mais conflituoso que seja, as duras verdades de um não saber são suficientes para os piores infernos deste peculiar estado, ou seja, mesmo que o “saber” seja aparentemente aprisionador, ele no fim das contas é libertador, a distinção nessa frágil linha entre um e outro está implícita em todo alcance de seu romper da vaidade ao encontro de sua própria natureza coletiva, é quando ambas se unem que todo o segundo do que fora feito para algo além dele se faz valer em ser cósmico.
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A moral e o vício.
Diga para mim sem pensar, o que você entende ao ler estas duas palavras… VICIADO, DROGADO, … não precisa dizer, vamos um pouco mais para frente agora, em cima destas duas palavras, me diz o que seria então vício e o que seria droga, ainda sem precisar dizer, vejamos se algumas destas ideias passou pela cabeça.
Falando de vício, acredito que tenha pensado em droga, certo? Talvez tenha pensado em remédio, quem sabe ainda pensou também em jogos de azar, as apostas no caso, contudo, quero saber se pensou em comida, compras, sexo, mentira, pornografia, masturbação, celular… inclusive vamos falar um pouco sobre celular, por exemplo, o vício em celular seria o que? Acredito que seria algo voltado ao que tem no celular, portanto, o vício ao celular seria uma extensão de outras vício que vão além do simples fato de olhar todo instante para o celular e não desgrudar da tela, por sinal, um vício que também é encontrado em sua própria imagem como temos pelas plataformas digitais sociais, sendo então mais um tipo de vício, o vício em si.
E agora droga, diz para mim, você pensou em maconha, e bebida alcoólica, por um acaso pensou novamente em remédio, de repente nicotina, esteroides anabolizantes, poderíamos apelar um pouco e colocar cafeína e ainda deixo uma provocativa de origem separada apenas para refletir sobre o açúcar, entretanto, seria indiscutível dizer sobre droga quando pensamos em cocaína, crack, ecstase, lsd, mdma, quetamina, metafetamina, heroína entre outras que facilmente são identificadas como droga.
Considerando estes olhares o que temos aqui para refletir? Podemos começar por algo bem simples, se pegarmos as duas palavras do início desse texto, VICIADO e DROGADO, rapidamente distribuímos algumas verdades que associam os entendimentos, para alguns viciado é drogado e para alguns maconha não é droga, para outros bebida alcoólica não é droga e se aprofundarmos um pouco mais chegamos em um lugar interessante que é; alcoolista não é drogado, tão logo, não enxergamos de uma forma clara o que seria ou não seria alguém viciado, não importando pelo o que, o que enxergamos são modelos já desenhados que determinam o que a pessoa é conforme aquilo que consome, usa, faz, tem etc., por exemplo, uma pessoa que fuma maconha e é intelectualiza, tem uma condição de vida legal, possui algum tipo de status social etc., ela talvez não seja vista como drogada, não seria também dita como maconheiro, por outro lado, vamos pensar numa pessoa da periferia, que tem tatuagem de procedência duvidosa, uma aparência “desconfortável” ao que veste e fuma maconha, acredito que naturalmente talvez a vejamos como maconheiro, drogado e se bobear ainda como ladrão, bandido, marginal, criminoso, traficante etc., porém, vamos pensar que a maconha nesses duas histórias seria a mesma e de mesma origem, tanto para um como para outro. A pergunta aqui é simples, por que para um a maconha é uma coisa e para o outro é outra coisa?
Não distante disso vamos pensar em mais um lugar curioso ao modelos do VICIADO e do DROGADO, pensamos agora em um executivo da alta sociedade que usa venvanse, não por ser diagnosticado, usa porque estimula e ainda compra sem receita, daí pensamos em uma pessoa que cheira cocaína, por mais que pareça ser mundos diferentes e são de fato, o curioso é que o efeito é quase igual, obviamente são diferentes, contudo, enquanto o executivo toma 3 compridos de 70mg o outro cheira 1g, para o executivo o cheirado é um drogado, para o drogado o executivo é um drogado, e para você, quem é o drogado?
Agora vamos pensar em uma pessoa que vem de uma família super tradicional e essa pessoa fuma maconha, abominável pela família, o que seria então droga aqui? Imediatamente a maconha é droga e a pessoa é viciada! Ainda que essa pessoa não seja viciada e a maconha componha uma vida saudável e equilibrada, para os seus familiares é uma desonra ao nome da família.
Vejamos outro lugar interessante, um alcoolista, para ele maconheiro é horrível, e não distante para o maconheiro o alcoolista é zoado, tanto quanto o cheirador, para o cheirador quem fuma crack é o fim de mundo. Aqui começamos encontrar algumas questões muito, mas muito interessante. Perceba que há um determinante de quem é melhor ou pior e isso não para aí, se pegarmos um viciado em cocaína por exemplo, dificilmente terá como atenção a dificuldade de uma pessoa com a realidade de vício em compulsão alimentar, ainda que exista, é como se esse tipo de vício não pudesse ter um nível de legitimidade como o vício em droga.
Agora vamos entrar em um lugar bem ácido, como lá no começo, diz para mim, o que é um VICIADO e um DROGADO, como é a pessoa, o que ela faz, defina ela para mim? Se por um acaso a ideia foi para um lado mais sentimental, legal, porém, vamos para um dos lados que é ocultado com belas vitrines sociais, mas que nos estoques elas são como direi agora. Vamos entender que nesse momento VICIADO e DROGADO seria a mesma coisa, aqui é importante enxergar dessa maneira porque a distinção entre os vícios e as drogas são muitas conforme apresentei um pouco antes, e o resumo que teremos agora entra para um tipo der corpo específico que ficou apenas associado com a droga, ou seja, o DROGADO é uma pessoa folgada, mentirosa, manipuladora, oportunista, abusadora, fracassada, interesseira, covarde, egoísta, falsa etc., ela não tá nem aí com nada, não quer saber de nada, destruiu com tudo, machucou a todos e não quer nada com nada.
Acredito que ao ler estes “elogios” você pode ter se sentido um pouco mal, ou seja lá quem for você pode também ter achado que não haveria uma melhor ilustração do que essa para um fato, não sei, só sei que essas características são presentes aos olhares que acompanham um drogado para muitas pessoas ainda hoje, principalmente por seus familiares em quase todos os casos, sendo inclusive de onde começa, novamente, na maioria das vezes.
Nesse ponto a gente chega em um lugar interessantíssimo! O lugar de maior conflito e o lugar que nos leva em dois caminhos de grande impacto. Até agora não falamos do vício ser uma doença, entretanto, é uma doença! Por outro lado existe algo muito peculiar nisso tudo, a ideia de ser uma doença que a pessoa nasce com ela ou ser uma doença onde a pessoa adquire, ela se torna viciada. Por mais simples que pareça isso o que acontece é que se a pessoa nasce com essa doença ela tem um caminho e se ela se torna tem outro, não que estes caminhos amenizem as realidades do que existe socialmente, mas, se você nasce você tem um pequeno nível de entendimento, por outro lado se você se torna o nível de entendimento praticamente desaparece. Penso que para você a rápida negação do fato já tenha aparecido dizendo que não teria diferença, que os cuidados devem ser vividos da mesma forma para tratar a doença. Ok! Que bom! Mas agora vamos para o lugar mais especial dessa conversa.
Diz para mim, como é que você vai aceitar que a doença é composta por todos os defeitos mencionados ao DROGADO onde eles atendem uma única e simples questão, que é a realidade moral? Veja bem, vamos com calma! O primeiro ponto que podemos explorar é termos então uma pessoa com uma doença, seja ela de nascença ou adquirida, aquilo que será tratado é representado de forma prática a sua compulsão, algo que ao promover dano pessoa e externo o faz então destruir com sua vida e quase sempre também com a vida de todas as pessoas que convive, portanto, a causa real é nesse caso que segmentamos a droga. Ok! O que acontece é que se a pessoa não consegue parar de usar, pelo simples fato da doença, ela é automaticamente colocada em um lugar indiscutível em sua característica atribuída em defeito moral. E quando pensamos nisso encontramos uma porção de travas que não são solucionáveis pelo seguinte fato, não tem como aceitar, entender, permitir que uma pessoa possua tais defeitos justificáveis por uma doença, o ponto intrigante nessa história é que de fato não tem como classificar uma realidade de um “mal caráter” tendo então essa realidade como fruto da doença, se puxarmos a vida da pessoa desde criança e se já existisse mentira ou preguiça por exemplo, como iríamos dizer ser isso fruto da doença, considerando então que a pessoa vira viciado, entretanto, o que conflita são as realidades de ordem subjetiva, onde a complexidade da pessoa vem de um campo existencial, e, ao termos qualquer questão ligada ao vício, o que existe são formas práticas e objetivas para tratar a compulsão, por mais que tenhamos centenas de verdades aos cuidados comportamentais, as clarezas de raciocínios e conhecimentos sentimentais, sempre que houver uso a pessoa é desqualificada e colocada nessa atmosfera que a classifica como alguém ruim pelas naturezas morais.
Entraremos agora em um complemento importante aos olhares que tivemos até agora, vamos analisar as questões sobre as conscientizações e as humanizações, as importâncias aos direitos iguais, o cuidado ao pertencimento com todas as diversidades etc., considerando o vício uma doença ou se preferir dizer a dependência química, se colocarmos aqui para que haja um suporte de entendimento a questão da depressão e do suicídio, ansiedade, transtornos etc., e, assim como algumas campanhas aos cuidados junto a saúde mental, a doença mental, perceba que existem algumas coisas sobre isso, mas, pouco temos sobre o DROGADO, ainda que tenhamos, a verdade é que não cabe em lugar algum todo e qualquer tipo de inclusão para um DROGADO, jamais haveria uma vaga exclusiva para DROGADO no shopping, nem mesmo acabariam os barris de Chopp nos aniversários de criança e a maconha da praia não passaria ser atendida como nenhuma outra coisa que seja para então ter do DROGADO sua paz em pertencer e ser reconhecido socialmente, o que acontece é que existe uma maquiagem que nos dá uma impressão de existir algo sobre o tema, na verdade tem mesmo, na bancada acadêmica, na propaganda social e na vida do vizinho, porém, vai difícil você encontrar isso em casa, na família, nos amigos, no trabalho, na faculdade, no clube etc., pois, o que é encontrado é a parte que complementa essa visão que abriremos agora!
O acesso fica liberado ao ter então o DROGADO o seu voucher de entrada, ou seja, a sobriedade, contudo, a sobriedade é muitas vezes algo que esconde um contrapeso sensível, ela é mantida em sigilo, não é algo que é apresentado como parte importante da sua vida, da sua história, da sua verdade e sobre você, e ela é omitida por um simples fator, ao compartilhar você pode ser julgado! O julgamento aqui se refere em ter das pessoas o preconceito por um dia você ter sido DROGADO, tão logo, a sobriedade terá um lugar de reconhecimento nas comunidades e nos grupos de recuperação, pode haver também algum tipo de reconhecimento pelos familiares, amigos entre outros que participam de sua vida, ainda assim, a sobriedade não é um título ou uma qualificação que você colocará como cartão de visita. Essa dinâmica oculta o que é extremamente claro, nitidamente reconhecível, altamente lúcido, estratosfericamente discernido e totalmente real sobre não termos nenhum lugar de participação, pertencimento, amparo, entendimento sobre a doença. A complicação começa entre as próprias pessoas viciadas quando sóbrias, muitas vem de clínicas, internações, instituições, comunidades e grupos de recuperação onde existem programas e estruturas elaboradas que o faz ter a vida estabelecida de uma forma condicionada pela realidade da sobriedade e da abstinência absoluta, algo que obviamente faz sentido, entretanto, as próprias relações morais começam nestes núcleos pelos mesmos, onde, aquele que não cumprir com o que existe então por ali praticado, começando pela sobriedade, aos poucos nasce um nível de distanciamento por ter então aquele que não os faz como alguém novamente associado nas características base do DROGADO, que são, o folgado, mentiroso, manipulador etc., e, aquele que possui status por seu tempo sóbrio naquela atmosfera, mas não possui socialmente, ou seja, na comunidade sua sobriedade continuada o faz ter prestígio, já em casa isso pouco importa, se por um acaso esse mesmo não está mais sóbrio, em algum momento na comunidade pode ter um posicionamento diferente por não ser mais uma referência e em casa o que pouco importava em relação a sobriedade se torna então a maior decepção que podia existir já que nessa visão voltaria ser DROGADO.
Perceba que não há em nenhuma fatia social a realidade conscientizada e humanizada na falha do DROGADO ainda que sóbrio que não comece e termine concretizando a pessoa como alguém que não merece nada por simplesmente estar atrelada em alguma realidade moral que a desvalidada por completo ao ter então toda e qualquer relação de uso a tornando simplesmente um DROGADO.
A questão aqui não é defender o DROGADO e também não seria atacar a sociedade, não, não é isso, mas, perceba que não existe nenhuma forma de aceitar a falha, o erro, o não conseguir para o DROGADO qualquer coisa que não seja ter então a sobriedade como condição base para algum nível de pertencimento, porém, se olharmos um pouco do que abrimos aqui, veremos que as complexidades que existem nos coloca em cruzamentos delicados, pois, dependendo de onde estivermos uma coisa é droga ou não é droga, uma coisa é vício e a outra não teria nem como ser vício, de uma lado você tem a sobriedade como talvez a conquista mais importante da sua vida, já por outro você não pode expor para não ser julgado e se pegarmos todas essas reflexões e colocarmos então ao que é vivido de fato, teremos sempre um DROGADO tentando de tudo para se livrar da droga, certamente submerso em culpa, vergonha, raiva de si, tristeza, solidão, cobrança pessoal etc., onde muitas vezes nem ele mesmo consegue entender ou acreditar tudo isso ser uma doença, algo totalmente compreensível, já que é uma doença notável pela compulsão, mas, infinitamente ampla em lugares que o faz ter certeza em ele mesmo se ver de todas as formas negativas ao crivo moral, portanto, a grande dificuldade que encontramos está em tentar entender onde é que entra a realidade dessa tentativa em inserir o vício como doença? Para que que serve essa denominação junto a saúde mental, a doença mental, considerando que é incabível, é um absurdo, é inadmissível ter um DROGADO composto por defeitos morais e o ter então como alguém doente, onde o tratamento deve ser encarado como bem sucedido pela sobriedade e não havendo espaço, lugar, possibilidade, condição, tempo, formas, meios, jeitos, nada, absolutamente nada para que o DROGADO ainda que sóbrio possa então tentar trabalhar a complexidade de sua existência… Jamais haverá esse lugar. Como não há para o depressivo, o ansioso, suicida, transtornado etc., porque não tem como simplificar, ser objetivo, concretizar, fazer prático o mistério e o enigma de uma verdade que vem de um campo subjetivo e abstrato, não tem como aceitar que algumas pessoas não conseguem adequar-se, não conseguem seguir modelos, não conseguem viver de forma correta ao constituído primado moral.
Não que tenhamos uma conclusão para essa livre reflexão, mesmo com muitas lacunas que poderiam participar nessa conversa, a grande verdade é que ainda teremos muitos DROGADOS, VICIADOS, sóbrios e abstêmios tentando algum espaço em casa na esperança de ter suas falhas participando das falhas dos outros, porém, os outros nunca falharam, pois, a falha nessa conversa é só uma, VICIADO, aqui não entra doença, aqui não entra humanização, aqui não entra nada. Você pode achar um absurdo, mas, garanto, se um dia você tiver um VICIADO no seu teto, em algum momento da sua vida você vai chegar perto dessas verdades, e não seria sua culpa, digo, abandoar entre quaisquer outras coisas já mencionadas aqui, o que acontece é que não existe nada para vocês fazerem para se trabalharem de verdade, o que vocês fazem é tudo para trabalhar o VICIADO e enquanto vocês não aprenderem a trabalhar vocês, talvez o fim seja sempre o mesmo… Agora, se quer começar a trabalhar você, a primeira e a mais importante verdade que você pode fazer é, ouvir o VICIADO e acreditar no que ele fala, fazer o que ele fala, viver o que ele fala… imagino isso ser algo que responderia como já fazer, portanto, fiquemos aqui, não foi ontem, não é hoje e duvido muito que seja amanhã o encontro de alguma verdade aqui dita o verbo que nos toca, e o verbo que fica é o mesmo de sempre… DROGADO.





